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A melhor resposta para a atual crise mundial está na Ciência de Dados

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A melhor resposta para a atual crise mundial está na Ciência de Dados

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O atual estado de pandemia Covid-19 está a colocar em risco milhares de vidas. E a privacidade, como fica no meio disto tudo? Foi o que quis saber mais um SMART PORTUGAL Webinar, que discutiu a inteligência urbana e a privacidade no combate ao Covid-19, numa organização da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab.

“As melhores respostas que podem ser dadas a esta crise podem ser de facto conseguidas através da ciência de dados e os nossos responsáveis políticos deveriam olhar para este tema com muita seriedade”.

A opinião é de Fernando Matos, Presidente da Data Science Portuguese Association, que considera pouco provável que o país alcance o sucesso na retoma da economia sem a monitorização dos infetados. Para isso, diz, “precisamos de identificar os infetados, não necessariamente com dados como nome e morada, mas sabendo que aquele ID de telemóvel pertence a um infetado. É o nível mínimo de dados de que necessitamos para desenvolvermos aplicações que sejam realmente eficazes”.

Este tipo de tecnologia já está actualmente ao serviço de muitos sites e serviços, nomeadamente nas plataformas de apostas, como a 22Bet, casinos online, streaming de vídeo e música, sem esquecer as futuras aplicações que podem ter ao nível estatal e empresarial.

Estas declarações foram proferidas no dia 13 de abril, durante o SMART PORTUGAL Webinar, que discutiu a “inteligência urbana e privacidade no combate à pandemia”, numa organização da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, o laboratório de inteligência urbana da NOVA Information Management School (NOVA IMS).

O webinar contou, também, como convidados, com o General Manager da COTEC Portugal, Jorge Portugal, e João Marques, Vogal da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), além dos participantes residentes António Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Viseu e Vice-Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, onde coordena a Secção de Municípios “Cidades Inteligentes”, e Miguel de Castro Neto, Subdiretor da NOVA IMS e Coordenador da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, que moderou o painel.

Ciência de Dados: a caminho de uma App global?

Com a ciência de dados e a pandemia por pano de fundo, Fernando Matos defende o desenvolvimento de uma app global, disponibilizada pela Google e pela Apple, supervisionada por entidades governamentais, e obrigatória para quem queira sair de casa.

“A app aprenderia a calcular uma probabilidade sobre quem poderá estar infetado em virtude dos contactos que teve no passado, e recomendaria testes e confinamento para alguns. Tudo o que fuja muito desta linha, parece-me que não terá muitos resultados. É possível fazer algumas análises quase académicas, mas sem grandes resultados”.

E adianta: “Olho com muita frustração para algum do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Deviam estar a ser construídos modelos de risco que prevejam o contágio, nomeadamente em virtude deste relaxamento de medidas, e de que forma isso impactará as necessidades de capacidade extra nos hospitais”.

Ora, foi precisamente isso que a COTEC Portugal, em parceria com a NOVA IMS, fizeram. O COVID-19 Insights disponibiliza um elemento de estimativa de risco, a nível nacional, regional e por concelho, além de um elemento de previsão, da incidência e prevalência da infeção, mas também do número de internados, nomeadamente em Unidades de Cuidado Intensivo.

“Dá-nos a capacidade de antecipar o futuro, para podermos tomar melhores decisões”, nota Jorge Portugal. O responsável da COTEC Portugal defende a construção de estratégias segmentadas de desconfinamento e retoma para cada região e, para isso, diz, “os dados e a inovação ao nível da aplicação de modelos que permitam definir estratégias diferenciadas podem ter um papel muito importante”.

Dados como a capacidade de resposta médica em cada região, a capacidade de teste e deteção da propagação, a estrutura da atividade económica, a mobilidade dos fluxos regionais, entre outros, permitiriam traçar o perfil e uma estratégia diferenciada a nível regional.

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A propósito de direitos, liberdades e garantias…

Ciência de dados e modelos que, em nenhum momento, devem colocar em causa os direitos conquistados. “A forma como a Europa, e o nosso país em particular, entende os direitos, liberdades e garantias, deve ser preservada. Não deve haver dúvidas sobre essa matéria”, adianta o responsável.

Questões de privacidade que se prendem não só com a própria natureza dos dados mas também com a construção dos modelos.

“O artigo 22.º do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), que regula a aplicação dos algoritmos, a necessidade da transparência e explicabilidade dos algoritmos, é um aspeto inegociável. Temos uma grande aversão a aplicações que são caixas negras, cujos algoritmos não são conhecidos, nem validados. Dou como bom exemplo Singapura, que publicou o seu algoritmo de tracing, de forma a que qualquer pessoa possa testá-lo e ver o que está lá dentro”.

Já sobre a natureza dos dados, o RGPD que, em 2018, veio limitar o acesso a dados pessoais, regula no entanto diferentes níveis de acesso e utilização dos dados em função do contexto. “Existem no regulamento fundamentos que nos habilitam a tratar essa informação, para os efeitos, nomeadamente, de garantir a saúde pública da sociedade”, nota João Marques.

O vogal da CNPD explica que o RGPD não proíbe o uso de dados pessoais, mas sim regula a sua utilização em função das necessidades. “A questão não é se posso usar ou não dados pessoais, mas até que ponto necessito dessa identificabilidade para garantir os resultados a que me proponho, e se posso ou não introduzir mecanismos de ruído nessa informação, para garantir o mínimo de intrusão possível na privacidade das pessoas”.

A Ciência de Dados: dificuldades e… mais dificuldades

Na prática, e ainda com a ciência de dados no foco, António Almeida Henriques nota que o atual regime cria dificuldades para quem está no terreno. “Para um autarca é essencial termos os dados de alguém que tenha testado positivo e que esteja confinado para o podermos apoiar, fazendo-lhe chegar alimentos e medicamentos, por exemplo”.

O Presidente da Câmara Municipal de Viseu e Vice-Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses alerta ainda para a dificuldade da partilha de dados em Portugal.

“Quase que cada instituição tem a sua própria leitura números. Quando a autarquia, no âmbito da proteção civil, quis saber com rigor todos os utentes dos nossos lares e de quem estava em assistência domiciliária, os dados compilados pela autarquia versus os dados da segurança social, dava uma diferença de 1000 pessoas. O que é um número que nos preocupa. É importante que as várias instituições que desenvolvem serviço público possam ter uma partilha mais transparente de dados. Falta interação entre as várias instituições. Diria que ainda estamos nos antípodas daquilo de deveria ser o modelo de organização do Estado”.

Miguel de Castro Neto destaca ainda a necessidade da disponibilização de dados abertos e harmonizados. “Hoje temos de facto uma oportunidade para desenvolver projetos muito interessantes, caso os dados estejam disponíveis num formato aberto e padronizado”.

Sobre os Smart Portugal Webinars

Os Smart Portugal Webinars são promovidos pelo NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, o laboratório de inteligência urbana da NOVA Information Management School (NOVA IMS). Têm periodicidade semanal e um tema previamente definido.

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