Home / Tecnologia /

Portugueses já usam mais fibra ótica do que cabo para aceder à Internet

fibra ótica

Portugueses já usam mais fibra ótica do que cabo para aceder à Internet

Com a constante evolução das tecnologias de comunicação, estimulada pelo aumento da capacidade de tráfego de voz, vídeo e dados de alta velocidade, têm emergido novos conceitos em tecnologias de transporte de informações. É nesta ideia que surge então a fibra ótica de que tanto temos ouvido falar nos últimos anos e que nos garante, hoje, um nível elevado de fiabilidade na transmissão de sinais e dados, voz e vídeo.

Para quem não está familiarizado com a tecnologia, passo a fazer uma breve introdução. Assumindo-se como substitutos aos velhos fios de cobre, os cabos de fibra ótica são compostos por “fios de vidro” extremamente puros, revestidos em duas camadas de plástico reflexivo. Uma fonte de luz é ligada e desligada rapidamente a uma extremidade do cabo de transmissão de dados digitais. Assim, a luz é transportada através dos fios de vidro e de forma contínua reflete fora do interior dos revestimentos plásticos espelhados num processo conhecido como reflexão total interna.

Noutras palavras, isto significa que os sistemas baseados em fibra óptica podem transmitir milhares de milhões de bits de dados por segundo e até mesmo levar vários sinais ao longo da mesma fibra usando lasers de cores diferentes. E qual a espessura dos cabos? Basta arrancar um dos seus cabelos para para ter a noção.

A transmissão da luz pela fibra segue um princípio único, independentemente do material usado ou da aplicação: é lançado um feixe de luz numa extremidade da fibra e, pelas características óticas do meio (fibra), a luz percorre a fibra por meio de reflexões sucessivas. A fibra possui no mínimo duas camadas: o núcleo (filamento de vidro) e o revestimento (material eletricamente isolante).

Fibra ótica: já está bem enraizada nos lares portugueses

Dado o potencial desta tecnologia, não é surpreendente que no 1.º trimestre de 2017, relativamente ao caso português, a fibra ótica tenha ultrapassado o modem cabo como principal forma de acesso à Internet em banda larga fixa, num universo de 3,42 milhões de acessos à Internet em local fixo existentes no final de março.

“No final do primeiro trimestre de 2017 existiam cerca de 3,42 milhões de acessos à Internet em local fixo, mais 44 mil acessos do que no trimestre anterior, e a fibra ótica ultrapassou o modem cabo como a principal forma de acesso à Internet em banda larga fixa, sendo responsável por 34% dos acessos, contra 33,1% do cabo”, lê-se no comunicado da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), que avançou estes dados.

Os restantes acessos à Internet em banda larga fixa eram suportados em ADSL (25,2%) e LTE em local fixo (7,5%). “A fibra ótica é a tecnologia que mais tem contribuído para o crescimento do número de acessos, ao registar aumentos superiores a 50 mil acessos por trimestre desde o início de 2015”, acrescenta a ANACOM.

No período em análise contemplado, o número de utilizadores que efetivamente utilizaram Internet em banda larga móvel subiu para 6,5 milhões, mais 0,3% em relação ao trimestre anterior e mais 17,3% face ao trimestre homólogo. Em termos de quotas de acessos fixos, a MEO continua a ser líder de mercado, com 40,1%, menos três pontos percentuais do que no período homólogo.

Na lista, é o Grupo NOS que se segue, reunindo uma quota de mercado na ordem dos 37,7% (mais 0,8 pontos percentuais em termos homólogos) e a Vodafone com 17,7% (foi o operador cuja quota mais subiu, 2,2 pontos percentuais). O Grupo Apax, que detém a Nowo e a ONI, manteve a sua quota nos 4,2%.

O mesmo estudo de mercado reflecte dados também sobre a utilização da banda larga móvel. A quota de clientes ativos da MEO era de 38,9%, seguindo-se a NOS e a Vodafone com 32,7% e 27,4%, respetivamente. A Nowo, que lançou ofertas comerciais de serviço de banda larga móvel em abril de 2016, tinha uma quota de 0,8%.

Não menos surpreendente é que o tráfego médio mensal, por acesso à internet em banda larga fixa, esteja estimado para 63,4 GB. No caso da banda larga móvel com utilização efetiva, o tráfego gerado por cliente foi de 2,1 GB por mês (10,4 GB por mês no caso de tablet/PC).

No primeiro trimestre, as receitas provenientes do serviço de acesso à internet fixo ‘stand-alone’ e de pacotes de serviços que incluem este serviço totalizaram cerca de 445,1 milhões de euros (um crescimento homólogo de 6,8%). Já os acessos à Internet móvel geraram receitas de 86,8 milhões no 1º trimestre de 2017, um valor superior em 6,4% ao registado no primeiro trimestre de 2016.

Partilhar este artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *