Home / Comércio Eletrónico /

Como a tecnologia vai mudar a forma como usamos dinheiro?

dinheiro digital

Como a tecnologia vai mudar a forma como usamos dinheiro?

 

A Internet tem tocado em muitas áreas da nossa vida, ao ponto de mudar por completo certos comportamentos que o ser humano mantinha há séculos. Basta olharmos para aquilo que fazíamos há 15 anos e aquilo que fazemos hoje para percebermos diferenças absurdas nas nossas vidas: a forma como consumimos entretenimento, como fazemos compras sem sair de casa e até mesmo como planeamos viagens.

No entanto, à medida que a tecnologia vai evoluindo e sempre a ritmo mais acelerado, torna-se premente fazer uma pergunta que me tem estado na cabeça há algumas semanas: será que algo tão básico como o dinheiro pode desaparecer por completo das nossas carteiras físicas, totalmente eclipsado pela realidade digital?

Bem, parece que sim e os chineses são prova disso mesmo. Tratando-se a China de um dos países com maior dimensão populacional, e com uma atividade económica fervilhante, todos os processos parecem acontecer de forma mais rápida. E, portanto, podemos presumir que a China é um bom exemplo daquilo que pode acontecer no mundo nos próximos anos.

Como foi avançado pela revista Agência Efe no final de maio de 2017, está a crescer cada vez mais o número de chineses que não levam consigo dinheiro físico quando saem de casa. Todos os pagamentos que precisam de efetuar no dia-a-dia, seja para comprar pão, roupa ou até mesmo dispositivos eletrónicos, são efetuados através dos seus smartphones. Isto diz muito sobre o crescimento do setor de tecnologia financeira no país.

“Os chineses utilizam cada vez menos dinheiro físico e pagam mais coisas com o telefone, por mais barata que essa coisa seja. Qualquer loja está preparada para cobrar desta forma”, explicou à Agência Efe o gerente da Printech, Huin Sun. Esta não é uma realidade de pequena dimensão: na verdade, segundo dados da Forbes estima-se que 40% dos consumidores na China utilizem já estes novos métodos de pagamento para as suas compras através da Internet ou para pagamentos presenciais. As duas plataformas que mais usam são a Alipay e a Wechat.

Alipay e Wechat: as aplicações que digitalizam o dinheiro

Naturalmente, fui pesquisar sobre estas plataformas e tentar perceber se á fazem parte do nosso mercado. A Alipay foi desenvolvida pela Ant Financial e está ligada ao gigante do comércio eletrónico Alibaba, uma das mais plataformas do género. A Wechat, por sua vez, corresponde ao maior sistema de mensagens da China, semelhante ao WhatsApp, embora permita efetuar pagamentos.

No relatório “think tank” The Better Than Cash Alliance, disponibilizado recentemente ao público, percebemos que as duas plataformas possuem um market share de aproximadamente 63% dos pagamentos digitais feitos na China. Traduzido em números que nos sejam familiares, isso significa 3 mil milhões de dólares americanos pagos usando o Alipay e o Wechat. É muito dinheiro a circular digitalmente!

 

Entretanto, esta realidade de dinheiro digital levou a certas adaptações no mundo físico. Se hoje for à China, quase todas as lojas terão nas suas montras, paredes ou prateleiras os “QR codes” do Alipay ou do Wechat, que os consumidores podem usar para efetuar seus pagamentos. Os mesmos códigos para efetuar os pagamentos podem ser encontrados junto a táxis, autocarros ou em faturas de contas como luz e água.

Entre os utilizadores do Wechat também são muito populares as transferências de pequenas quantias, outra forma comum de realizar pagamentos e evitar tirar a carteira do bolso. Imagine, por exemplo, que tem um jantar entre amigos e que um deles paga tudo, combinando que os outros lhe pagam posteriormente as suas partes. Em vez de estar a contar moedas e trocos, pode simplesmente efetuar a transferência, sem grandes complicações.

Como se isso não fosse já suficiente para me deixar absolutamente surpreendido com tudo o que está a ser feito com o dinheiro físico, descobri que a Ant Financial quer ir mais longe ainda, longe ao ponto de desenvolver uma tecnologia para fazer pagamentos através de reconhecimento facial. Sim, leu bem!

Esta já nem é uma ideia recente, uma vez que foi apresentada em 2015. Jack Ma, o fundador do Alibaba, a apresentou nesse ano a ideia que está atualmente a ser testada em inúmeros eventos de tecnologia, como o realizado recentemente na cidade de Guyaing, a Big Data Expo. Pelo que li, um dos stands mais visitados foi mesmo o da Ant Financial. Dezenas de pessoas quiseram testar o sistema “pague com um sorriso”, método que no futuro será instalado nas lojas chinesas.

Claro está que para ter uma conta no Alipay precisa de ter um documento de identidade com fotografia. É desta forma que o utilizador é reconhecido quando for fazer o pagamento por reconhecimento facial.

Ambas as aplicações podem ser descarregadas em Portugal e no Brasil: o problema é que não dispomos ainda de lojas dispostas a aceitar este tipo de pagamento e o processo para criar uma conta não é simples.

 

Partilhar este artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *